Toniel Costa
Seis e meia da manhã, tempo abafado, beirando os 30°. Inicia-se mais uma semana na vida de Antonio. Após seis horas de repouso e cinco de sono, carros, ônibus e motocicletas exalam poeira e poluição sonora na rua da Rodagem em São Félix.
Em um beco, ao lado de sua casa, ele ouve os já tradicionais comentários proferidos por dois torcedores: um doente pelo Esporte Clube Bahia e outro saudável sem agremiação assumida.
Depois de um banho, o café da manhã acompanhado de um biscoito criado na padaria do centro, mas comprado no supermercado da esquina e pela companheira de quase todas as horas vagas: a televisão. O jornal das 7:15h que, devido ao horário de verão iniciado na primavera, começa uma hora antes, já estava nos 15 minutos finais, na melhor parte por sinal; mostrando os gols da última rodada do Campeonato Brasileiro.
Encerrado o jornal e também a agradável refeição, veste de forma apressada a camisa branca e a calça jeans azul, pois ainda restam alguns minutos até a hora de sair para mais um dia de aula. Minutos esses que serão gastos navegando na internet.
Depois de um longo tempo de três minutos entre o acionamento do botão do estabilizador e a abertura da página do servidor local, autorizando assim a navegação. Observa o seu e-mail que reluta em atender os comandos e desliga, passados dez minutos.
Á caminho da universidade, tudo ao redor parece estar da mesma maneira de sempre: movimentação moderada de pessoas, típico do tamanho da cidade.
Já em Cachoeira, ainda resta um tempo para pegar uma apostila para a aula do dia seguinte na copiadora da esquina. Surpreendentemente, não é preciso esperar longos minutos até a cópia ficar pronta, pois já havia uma apostila guardada.
Ao chegar para a aula, a discussão do texto do dia já havia começado. Sentando-se em uma cadeira que ficava de frente para o quadro “branco” no acanhado espaço da sala de aula, Antonio se situa no tema abordado pelo professor e pelos colegas.
Depois de discutido o texto, hora de preparar as matérias que serão postadas na aula da tarde. Antonio descobre que a gravação da entrevista que iria para o blog, só pode ser ouvida no mp3. É preciso então, transcrever a fala para transformar em texto.
Finalizada a aula ás cinco e meia da tarde, um banho refrescante, um jantar delicioso e um sono reparador espera Antonio em sua casa, encerrando mais um dia.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Começar de novo
Por: Talita Costa
Como se a convidasse a levantar, o sol entra no quarto. Talita acorda cedo. Seis horas da manhã. Preguiçosamente se mantém na cama. Rola daqui e dali, sem o mínimo de vontade de levantar. Adora viajar em seus pensamentos... Sonhar acordada. Recapitular tudo que tinha programado para aquele dia, embora muitas coisas não dêem certo. Ela olha o relógio, sete horas. Com muito esforço se deixa cair para fora da cama. Espreguiça-se. Boceja. Olha no espelho. Vai ao banheiro. Adora sentar no vaso sanitário e pensar na vida. Toma banho. Não porque estivesse suja ou morrendo de calor. O sol ainda estava frio. Acostumou-se desde pequena a sempre tomar banho antes de sair pela manhã. Atenta aos horários não gosta de se atrasar. Ela gosta de ser responsável. Para ir à faculdade, não faz muito esforço. Abre a janela do quarto. O frescor da manhã anuncia um belo dia. Anima-se. Depois de se vestir, vai tomar café. Adora comer. Numa lista de cinco itens, comer seria o terceiro de suas preferências. Ela não compreende porque as pessoas fazem regime. Param de comer. Anorexia! Bulimia! Ela não entende. Alimenta sua carne. Café preto, pão com manteiga, coloca ela de pé até meio-dia. Não tem pressa. Adora comer com calma, experimentando todas as sensações possíveis. Prazer e angústia se confundem do início ao fim. Sempre usa escova de dente. Fio dental normalmente não. Nessa hora do dia não lhe sobra tempo para uma limpeza mais profunda. Tenta cumprir sua agenda. Caminho longo. Sol escaldante. E... Tempo esgotado. Outro dia atrasada na faculdade. Entra na sala. Entre a discussão do texto e as conversas paralelas com os colegas, Talita telefonema para casa. Intervalo. Às vezes nem se dá ao luxo de sair da sala. Querido diário... E mais uma tentativa frustrada de se tornar uma boa escritora. Doze horas. Hora do almoço. O típico feijão com arroz. Atrasada, come devagar. Hora de voltar à faculdade. Internet. Matérias. Vídeos. Fica nisso até as quatro da tarde. Ou seria até as cinco, caso não fosse interrompida subitamente. Aponta fraquinha. Vai levando e até acha que dá para agüentar. Nada feito. A cólica se torna insuportável e vai para casa. Chega em casa quatro e meia. Dor. Pressa. Joga tudo no sofá. Remédio. 40 gotas. Não gosta muito de tv e liga o som. Ana Carolina canta. Muito calor. Agonia. Desespero. Deita no chão frio. A dor não passa. Mais 40 gotas. A dor se tornara insuportável. Ela passa mal. Pressão abaixa. Sozinha em casa, não tem que lhe ajude. Sal debaixo da língua alivia o incômodo. Cochila um pouco. Toma banho e a dor permanece constante. Volta a deitar-se. Desliga-se de si mesma. Amanhã ela levantará as seis.
Como se a convidasse a levantar, o sol entra no quarto. Talita acorda cedo. Seis horas da manhã. Preguiçosamente se mantém na cama. Rola daqui e dali, sem o mínimo de vontade de levantar. Adora viajar em seus pensamentos... Sonhar acordada. Recapitular tudo que tinha programado para aquele dia, embora muitas coisas não dêem certo. Ela olha o relógio, sete horas. Com muito esforço se deixa cair para fora da cama. Espreguiça-se. Boceja. Olha no espelho. Vai ao banheiro. Adora sentar no vaso sanitário e pensar na vida. Toma banho. Não porque estivesse suja ou morrendo de calor. O sol ainda estava frio. Acostumou-se desde pequena a sempre tomar banho antes de sair pela manhã. Atenta aos horários não gosta de se atrasar. Ela gosta de ser responsável. Para ir à faculdade, não faz muito esforço. Abre a janela do quarto. O frescor da manhã anuncia um belo dia. Anima-se. Depois de se vestir, vai tomar café. Adora comer. Numa lista de cinco itens, comer seria o terceiro de suas preferências. Ela não compreende porque as pessoas fazem regime. Param de comer. Anorexia! Bulimia! Ela não entende. Alimenta sua carne. Café preto, pão com manteiga, coloca ela de pé até meio-dia. Não tem pressa. Adora comer com calma, experimentando todas as sensações possíveis. Prazer e angústia se confundem do início ao fim. Sempre usa escova de dente. Fio dental normalmente não. Nessa hora do dia não lhe sobra tempo para uma limpeza mais profunda. Tenta cumprir sua agenda. Caminho longo. Sol escaldante. E... Tempo esgotado. Outro dia atrasada na faculdade. Entra na sala. Entre a discussão do texto e as conversas paralelas com os colegas, Talita telefonema para casa. Intervalo. Às vezes nem se dá ao luxo de sair da sala. Querido diário... E mais uma tentativa frustrada de se tornar uma boa escritora. Doze horas. Hora do almoço. O típico feijão com arroz. Atrasada, come devagar. Hora de voltar à faculdade. Internet. Matérias. Vídeos. Fica nisso até as quatro da tarde. Ou seria até as cinco, caso não fosse interrompida subitamente. Aponta fraquinha. Vai levando e até acha que dá para agüentar. Nada feito. A cólica se torna insuportável e vai para casa. Chega em casa quatro e meia. Dor. Pressa. Joga tudo no sofá. Remédio. 40 gotas. Não gosta muito de tv e liga o som. Ana Carolina canta. Muito calor. Agonia. Desespero. Deita no chão frio. A dor não passa. Mais 40 gotas. A dor se tornara insuportável. Ela passa mal. Pressão abaixa. Sozinha em casa, não tem que lhe ajude. Sal debaixo da língua alivia o incômodo. Cochila um pouco. Toma banho e a dor permanece constante. Volta a deitar-se. Desliga-se de si mesma. Amanhã ela levantará as seis.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Mais um dia, como outro qualquer
- Hamurabi, já são 5 e meia, acorda! – uma voz feminina acorda nosso personagem, muito antes da hora programada por ele, ainda na noite anterior.
Ele custa a acordar, se espreguiça, enrijece os músculos, tenta de toda forma sair de seu sono para enfrentar mais um dia. A passos ritmados e lentos, caminha ao banheiro, tira a sua roupa e cai direto em uma rajada de ducha fria, sem pena, pra acordar mesmo.
Bip. Bip. Bip.
São 5h40 exatamente a hora que seu alarme dispara, alto, ele ri, brinca e diz:
- Hoje eu acordei antes do alarme tocar. Não preciso dele.
Mal sabe ele que só por hoje.
- Minha mãe põe duas fatias de bolo e meu café, por favor.
Com a voz baixa para não acordar ninguém, se recolhe ao quarto e começa a se vestir, passa perfume, arruma a sua mochila, já salivando a espera da primeira mordida no bolo que lhe aguarda junto à xícara de café.
A televisão ligada o distrai, porém, ele está preocupado em devorar o seu café, pois o tempo corre e muito rápido, logo o carro já estará buzinando em frente da sua casa para sua rotina tão habitual e repetitiva, da qual ele se acostumou rapidamente: viajar à Cachoeira.
Ele nem termina de pensar na viagem e o carro já está na sua espera. Ouve o barulho da buzina, se despede e vai ao encontro do veículo verde e espaçoso estacionado na sua frente. Abre a porta do veiculo, vê duas pessoas. Apesar de ser dia, o fumê nos vidros do carro torna o ambiente um pouco escuro. Mas identifica as duas pessoas, que ainda tentam prolongar o que ele já perdeu: a vontade de dormir. Daniela e Lorena ocupam a última fileira de bancos. Lorena, pele escura e cabelos trançados, e Daniela com uma tez mais clara e cabelos lisos, se dispõem pelo banco como se ainda estivessem em sua cama. Da primeira fileira ele observa e ri, porém não sente inveja. Durante uma hora de viagem, vê, como se fosse um filme diante de seus olhos, a paisagem passar na mesma velocidade do automóvel, que sinuosamente faz o trajeto até a universidade. Chega ao local e uma dor de barriga faz uma gota de suor escorrer por sua testa até o momento em que ele pára, senta e respira fundo. A gula que o tomou na noite anterior o faz lembrar o motivo da súbita dor que o perturbou. Ás 8 e meia começa a aula. Um loiro a falar, falar, falar e alunos a escutar e discutir. Ponto de seguimento na discussão e agora ele começa a escrever sobre seu dia.
Às doze horas, sob o sol torrencial da Cidade Heróica sai para o almoço. Caminha cerca de cinco minutos ate chegar ao restaurante de sua escolha. Chega ao local, lava as mãos, monta seu prato e come, degustando o seu almoço. Mais pessoas chegam ao recinto e aquele burburinho de vozes o faz sair do lugar. Caminha novamente pelo mesmo trajeto, agora no sentido inverso, de volta a universidade. Aula, postagens, matérias, professor falando e ele se prepara para ir embora.
17 horas e sai para esperar o transporte que o leva para casa. Ele queria ficar e saber o que vem depois do ponto de segmento daquela aula pela manhã. Mas ele lembra que tem seminário no outro dia e tem que estudar para tal. O carro chega ele se dirige para aquele ambiente escuro em que a paisagem ira passar como um filme pelos seus olhos e amanhã ele ira acordar cedo, talvez primeiro que o despertador, ou não, e ai irá tomar uma ducha fria... E será mais um dia como outro qualquer. Até quando?
Hamurabi Dias
Ele custa a acordar, se espreguiça, enrijece os músculos, tenta de toda forma sair de seu sono para enfrentar mais um dia. A passos ritmados e lentos, caminha ao banheiro, tira a sua roupa e cai direto em uma rajada de ducha fria, sem pena, pra acordar mesmo.
Bip. Bip. Bip.
São 5h40 exatamente a hora que seu alarme dispara, alto, ele ri, brinca e diz:
- Hoje eu acordei antes do alarme tocar. Não preciso dele.
Mal sabe ele que só por hoje.
- Minha mãe põe duas fatias de bolo e meu café, por favor.
Com a voz baixa para não acordar ninguém, se recolhe ao quarto e começa a se vestir, passa perfume, arruma a sua mochila, já salivando a espera da primeira mordida no bolo que lhe aguarda junto à xícara de café.
A televisão ligada o distrai, porém, ele está preocupado em devorar o seu café, pois o tempo corre e muito rápido, logo o carro já estará buzinando em frente da sua casa para sua rotina tão habitual e repetitiva, da qual ele se acostumou rapidamente: viajar à Cachoeira.
Ele nem termina de pensar na viagem e o carro já está na sua espera. Ouve o barulho da buzina, se despede e vai ao encontro do veículo verde e espaçoso estacionado na sua frente. Abre a porta do veiculo, vê duas pessoas. Apesar de ser dia, o fumê nos vidros do carro torna o ambiente um pouco escuro. Mas identifica as duas pessoas, que ainda tentam prolongar o que ele já perdeu: a vontade de dormir. Daniela e Lorena ocupam a última fileira de bancos. Lorena, pele escura e cabelos trançados, e Daniela com uma tez mais clara e cabelos lisos, se dispõem pelo banco como se ainda estivessem em sua cama. Da primeira fileira ele observa e ri, porém não sente inveja. Durante uma hora de viagem, vê, como se fosse um filme diante de seus olhos, a paisagem passar na mesma velocidade do automóvel, que sinuosamente faz o trajeto até a universidade. Chega ao local e uma dor de barriga faz uma gota de suor escorrer por sua testa até o momento em que ele pára, senta e respira fundo. A gula que o tomou na noite anterior o faz lembrar o motivo da súbita dor que o perturbou. Ás 8 e meia começa a aula. Um loiro a falar, falar, falar e alunos a escutar e discutir. Ponto de seguimento na discussão e agora ele começa a escrever sobre seu dia.
Às doze horas, sob o sol torrencial da Cidade Heróica sai para o almoço. Caminha cerca de cinco minutos ate chegar ao restaurante de sua escolha. Chega ao local, lava as mãos, monta seu prato e come, degustando o seu almoço. Mais pessoas chegam ao recinto e aquele burburinho de vozes o faz sair do lugar. Caminha novamente pelo mesmo trajeto, agora no sentido inverso, de volta a universidade. Aula, postagens, matérias, professor falando e ele se prepara para ir embora.
17 horas e sai para esperar o transporte que o leva para casa. Ele queria ficar e saber o que vem depois do ponto de segmento daquela aula pela manhã. Mas ele lembra que tem seminário no outro dia e tem que estudar para tal. O carro chega ele se dirige para aquele ambiente escuro em que a paisagem ira passar como um filme pelos seus olhos e amanhã ele ira acordar cedo, talvez primeiro que o despertador, ou não, e ai irá tomar uma ducha fria... E será mais um dia como outro qualquer. Até quando?
Hamurabi Dias
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